Saiba como as competências têm aproximado a educação formal da não formal

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Dois mundos aparentemente distantes. Um deles, o da educação formal, aquele que sempre surge em nossa mente quando ouvimos a palavra “educação”, ligado às universidades e escolas; o outro, o da educação não formal, que acontece longe dessas estruturas disciplinares, e é promovido por coletivos, ONGs e outros atores sociais. 

No mais recente episódio do nosso podcast E Agora, Josefina?, quisemos chamar atenção para algo que temos percebido na prática: as competências têm aproximado esses dois universos. 

Para entender como isso tem acontecido, convidamos para o bate-papo a psicóloga, pesquisadora e professora Hellen Geremia, pessoa fundamental na criação da nossa metodologia de medição de competências. 

Como Hellen atua há oito anos enquanto docente da educação profissional e, assim como nós, usa metodologias com base em competências em suas aulas, pensamos nessa troca justamente para ajudar a desmistificar este tema e entender o que nos aproximava e o que nos distanciava neste  trabalho.

A intenção era criar uma ponte entre as experiências dela, no mundo da educação formal, com as nossas aqui no Instituto NOW, muito ligadas a organizações da educação não formal. E, claro, estender e compartilhar essa conversa com você!

 

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Hellen Geremia, nossa convidada no episódio 3 do podcast

 

Construindo a ponte 

A educação não formal não se encerra com a obtenção de diplomas, não segue planos de aula e bases curriculares. Por esse motivo, muitas vezes, não pensamos imediatamente nela quando ouvimos falar em “educação”. Ao mesmo tempo, a educação não formal promove aprendizagem crucial em comunidades e organizações e ela tem um ingrediente secreto: a motivação intrínseca.  

Se no passado a separação entre educação formal e não formal já era problemática, hoje, em pleno século 21, a manutenção dessa distância não faz muito sentido. Afinal, quem é capaz de separar em caixinhas os aprendizados que construímos ao longo da vida e que nos formam integralmente? E qual seria o objetivo disso?

É aí que entram em jogo a relevância das competências e da construção das matrizes, foco da nossa conversa com Hellen. As competências têm sido capazes de aproximar a educação formal da educação não formal nessa era em que desenvolver competências conta mais que acumular conhecimento ou currículo. 

Mas é bom lembrar que essa aproximação não começa nem termina na escolha das metodologias a serem aplicadas; mesmo porque, não adianta muita coisa escolhermos metodologias que despertem o interesse dos estudantes, que deixem as aulas mais engajadoras, se ainda mantivermos todo o foco na figura do educador e a lógica ainda for a transmissão de conteúdos. 

Essa ponte só é verdadeiramente estabelecida quando há uma mudança de chave. É preciso uma compreensão mais ampla do processo educativo/de aprendizagem como um percurso no qual educadores/facilitadores se colocam como provocadores de aprendizagem (inclusive esse foi o assunto do  segundo episódio do podcast). Isso deve perpassar desde a construção do planejamento até a avaliação –  não mais encarada com uma carga negativa  e pesada, mas como ferramenta de diálogo e de personalização do processo de aprendizagem.

 

Experiência compartilhada

Na nossa conversa com Hellen, descobrimos que trabalhar com competências oferece oportunidades parecidas nos dois mundos da educação e que um ótimo ponto de partida é a criação de uma matriz de competências. 

Hellen também nos contou sobre a bem-sucedida experiência de montar uma matriz de competências com os próprios alunos – exercitando o papel de facilitadora de aprendizagem, de modo bem próximo à metodologia do Instituto NOW (que discutimos no primeiro episódio do E Agora, Josefina?). 

Trabalhando junto, o grupo deu contorno às habilidades, atitudes e conhecimentos que cada competência exigia. Para os objetivos daquela turma, a competência “comunicação”, por exemplo, foi traduzida como 1. saber apresentar as ideias de forma clara, 2. não usar gíria, 3. evitar erros de português na comunicação escrita.

Desse modo, se ampliaram as possibilidades do exercício de responsabilidade, empatia e autogestão por parte dos aprendizes, que passaram a identificar de maneira mais clara o que fazer depois do conhecimento aprendido ali, tornando a aprendizagem mais significativa e duradoura.

Seja onde for desenvolvida a experiência de aprendizagem, a escolha das metodologias, das avaliações e das matrizes mobilizadas em cada atividade  devem estar atreladas aos objetivos e às competências que as pessoas envolvidas devem desenvolver ao longo de determinado período. 

Agora, você que trabalha com processos de aprendizagem, já se perguntou quais são as competências que você quer desenvolver em sua aulas ou facilitações? E de que modo? Conta para gente!

Você pode ouvir o episódio do podcast aqui.