Para ajudar a construir a política que queremos

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Daqui a poucos dias estaremos votando nos candidates que mais nos representam nas Eleições municipais. No fim da corrida eleitoral, mesmo aqueles que dizem não gostar de política dedicam um tempo a ouvir as propostas para decidir qual número teclar na urna.

Mas pensar política requer ir além do voto obrigatório – pelo menos, se a encaramos como uma dimensão fundamental de nossas vidas e reconhecemos seu potencial transformador. Foi pensando nisso que discutimos no último episódio do E Agora, Josefina? como construir a política que queremos de forma coletiva. Quais competências são necessárias para isso? 

Para discutir o assunto, convidamos a professora de História Silvane Silva, que junto a Fernanda Ogasawara e Marília Moreira, do Instituto NOW, apontou alguns caminhos a partir da sua experiência junto a comunidades quilombolas e indígenas. Dentre eles, a articulação em torno dos movimentos sociais, responsáveis por grande parte dos avanços que vimos se materializar na política institucional nas últimas décadas.

 

Silvane Silva, convidada do episódio sobre desenvolvimento de competências na política

 

“Pensar em política nesse momento eleitoral requer lembrar a força e a importância desses movimentos e de como a auto-organização comunitária deve valer. Se isso fosse feito, não teríamos o problema que vemos hoje no período eleitoral, porque todas pessoas estariam envolvidas com a transformação social e com a melhoria da nossa sociedade”, defende Silvane.

Empatia, resiliência, ousadia, resolução de problemas complexos, liderança e colaboração foram algumas das competências mencionadas no episódio para a construção coletiva da política.

As referências que permearam a conversa foram tão ricas, que pedimos a Silvane para listá-las ao final do episódio e reunimos todas nesse post (quase todas com acesso fácil com links). 

Confira:

[LIVRO] Narrativas Quilombolas: dialogar, conhecer, comunicar – Voltado para educadores, o livro é organizado por Silvane Silva e Renato Ubirajara e tem como objetivo oferecer possibilidades para a utilização de elementos do patrimônio material e imaterial quilombola em sala de aula, enquanto instrumentos de transmissão de cultura, história e tradições. Esse conhecimento, além de ser imprescindível no diálogo intercultural, pode contribuir para a melhoria da qualidade do sistema educacional, oferecendo novos recursos pedagógicos, pensados a partir de realidades particulares. O material também inclui caderno de atividades.

 

[TESE] O protagonismo das mulheres quilombolas na luta por direitos em comunidades do Estado de São Paulo (1988-2018) – A tese de Silvane Silva é fruto da sua atuação junto a comunidades quilombolas para o desenvolvimento do material mencionado acima. No texto de apresentação, ela relembra sua trajetória acadêmica e a importância de ter participado do Programa Abdias Nascimento, cujo objetivo era propiciar a formação e capacitação de estudantes pretos com elevada qualificação em instituições do Brasil e do exterior. A experiência de intercâmbio na Flórida (EUA) foi muito importante para a produção da pesquisadora.

Abdias Nascimento (1914-2011) discursando na Câmara de Deputados

 

[DOCUMENTÁRIO] Documentário Abdias: Raça e LutaO documentário retrata a trajetória do professor, artista plástico, escritor e político Abdias Nascimento, um dos pioneiros do Movimento Negro no Brasil. Destaque para as histórias do exílio nos EUA, na Wesleyan University. Para Abdias, era preciso que o negro participasse da produção de conhecimento, não só como objeto de estudo. Nos EUA, ele teve acesso a centros de pesquisa sobre o negro e para o negro. O filme aborda ainda atuação do Movimento Negro e as criações da Secretaria da Igualdade Racial  e Estatuto da Igualdade Racial.

 

[LIVRO] O Movimento Negro Educador: Saberes construídos nas lutas por emancipação, de Nilma Lino Gomes (Editora Vozes, em 2017) –  O Movimento Negro não é importante somente para os negros, mas para toda a sociedade. Com seu caráter educador, ele gera conhecimento novo que não só alimenta as lutas e constitui novos atores políticos, como contribui para que a sociedade em geral se dote de outros conhecimentos que a enriqueçam no seu conjunto. Assim, dá mais força e legitimidade às nossas aspirações de uma sociedade mais justa.

 

 

[SÉRIE] EMPODERADAS RAÍZES QUILOMBOLAS – Com pesquisa de Silvane Silva, a série apresenta lideranças de quatro comunidades quilombolas que são e foram referência na luta pela terra e pela preservação das tradições. Com duração de seis minutos, o episódio de estreia mostra a jovem Heloisa Dias, do Quilombo São Pedro, na região do Vale do Ribeira. Desde criança, ela acompanha a luta e o engajamento da família pelos direitos dos povos quilombolas.

 

Você pode ouvir o episódio do podcast aqui.