Os professores não devem pisar em ovos em torno de política quando ela afeta diretamente os alunos

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Não falar sobre política e religião é uma das frases que muitas pessoas podem ter crescido ouvindo. E, em um mundo cada vez mais conectado e polarizado pelas mídias sociais, é um momento estranho para navegar falando de política, especialmente quando adicionamos a isso a camada de ser um professor. É a partir desse debate interior que Emma Volpe escreveu um artigo para o Education Post. Afinal, como equipar a próxima geração para encontrar sua voz e, ao mesmo tempo, ensinar a eles o valor de ouvir com intenção? 

Como ajudá-los a desenvolver suas próprias ideias e, ao mesmo tempo, estarem abertos a um diálogo empático contínuo? Quer esse debate aconteça dentro de sala de aula ou não, é indiscutível que a política afeta os alunos. Especialmente em uma cultura voltada para a tecnologia, em que os alunos têm acesso contínuo às informações. Nesse sentido, o professor pode perpetuar os ciclos ignorando o debate ou pode ajudar os alunos com as ferramentas para criar mudanças efetivas.

É importante entender que várias questões políticas, como a proibição de viagens aos muçulmanos e leis de imigração, não são apenas manchetes para os alunos da professora. Fazendo um paralelo com o Brasil, o adiamento do ENEM e a volta ou não às aulas são exemplos que afetam diretamente o dia a dia dos alunos. Todo o papel do professor nesse contexto está enraizado na “política”. A ideia principal então passa a ser não evitar suas dúvidas ou perguntas, mas que os professores aprendam a falar e, mais importante, a ouvir.

Depois de Emma se fazer muitas dessas perguntas, de ler, ouvir e refletir, ela coletou um senso de pragmatismo pessoal sobre como falar com os alunos acerca de política de uma forma que foque no desenvolvimento socioemocional deles:

 

    • Estabelecer objetivos e normas: é importante começar com o porquê (“por que estamos aprendendo ou falando sobre isso?”), depois, definir normas para discutir o assunto com eles.
    • Convidar palestrantes externos: é uma oportunidade para levar vozes novas e diversas aos alunos. E mostrar diversas perspectivas sobre um determinado assunto.
    • Responder às perguntas dos alunos: quando os alunos fazem perguntas (mesmo as difíceis ou que talvez não tenham respostas simples) procure sempre responder. E também não há problema em não saber uma resposta e dizer isso a eles.
    • Explicar os dois lados da moeda: é do interesse do aluno receber a perspectiva de ambos os lados de uma discussão – novamente, mesmo quando é difícil ou contrastante com as suas próprias crenças.
    • Ensinar sobre credibilidade: há muito volume de informação na Internet e redes sociais. Nem todas são verdadeiras ou confiáveis.
    • Focar em criar memórias: concentre-se em como criar memórias e experiências que os alunos verão e se lembrarão quando forem adultos.
    • Contexto é mais importante que conteúdo: os alunos provavelmente não se lembrarão de cada estatística, fato, notícia, política ou evento atual. O que eles vão lembrar é do tom do espaço e do nível de empatia que seu professor e colegas usaram.

 

No final, se os alunos forem equipados com ferramentas para falar sobre questões políticas, então teremos este tempo para construir suas vozes e empatia simultaneamente.