O que o futuro do voluntariado tem a ver com competências?

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Uma geração hiperconectada, nativa digital e que aprendeu a se relacionar via redes sociais e aplicativos. Essa é uma descrição breve da chamada Geração Z, aquela nascida entre o fim da década de 90 até os anos 2010. Uma geração que, segundo os especialistas, não costuma criar vínculos duradouros com as pessoas e que evita sair de casa. Se isso tudo é verdade, como pensar um futuro para o voluntariado? Ou será que ele estará extinto nas próximas décadas?

“Um dos maiores equívocos é pensar que pessoas da Geração Z não querem mais se comprometer com engajamentos a longo prazo”, defende Stephanie Frost da start-up alemã Vostel.de. A empresa alemã conecta projetos de voluntariado com pessoas que querem ter um impacto positivo e tem foco nesse público. “Queremos que qualquer pessoa, independente do tempo disponível e de conhecimento técnico ou da língua possa contribuir para um futuro melhor e mais sustentável”, diz a porta-voz.

 

Mapa dos participantes da oficina

 

Frost foi uma das convidadas do workshop Futuro, promovido pela Academia para Gestores de Voluntários, da Landesfreiwilligenagentur Berlin. Ao lado de Rahel, do Instituto NOW, e de Ute Clausner, da Academia para o Trabalho Voluntário, ela desmistificou alguns dos medos das organizações com base em voluntariado e pensou algumas soluções para o futuro, que sim, existe!

Quem já participou de uma experiência de voluntariado sabe o quanto esse tipo de atividade pode gerar um impacto positivo tanto nos grupos diretamente beneficiados pela ação, quanto na vida de quem doa tempo, trabalho e talento de forma espontânea a uma causa. Mas como fazer com que a Geração Z perceba esse potencial e construa o futuro do voluntariado?

 

Os 4 “medos”

Para começar a responder essa questão, as três palestrantes  criaram uma lista com os 4 “medos” que costumam escutar com frequência:

 

  • Voluntáries da geração Z só se encontram no espaço virtual
  • Voluntáries da geração Z só querem se envolver de forma espontânea e a curto prazo.
  • Voluntáries da geração Z não tem interesse político.
  • Voluntáries da geração Z não querem ligar-se a organizações.

 

Os “medos” foram discutidos com os participantes da oficina, representantes de mais de 50 organizações com base voluntária de toda Alemanha. Durante o debate, o grupo comentou que aquelas eram crenças limitantes comuns e explicou como costuma lidar com o desafio de criar pontes entre voluntáries mais velhos e mais jovens, de alcançar jovens sem engajamento e de manter o comprometimento. 

Afinal, quando planejada de forma estratégica, a experiência de voluntariado se torna ainda mais potente, pois capaz de desenvolver variadas competências no indivíduo, que vão desde a melhoria da comunicação, liderança, trabalho em equipe e habilidade de negociação à maior facilidade em lidar com situações de mudança.

Apesar das inseguranças acerca do comprometimento da Geração Z com o voluntariado, o número de pessoas que buscam esse espaço para o desenvolvimento pessoal cresce. Mais do que nunca é preciso entender a motivação!

 

Confira algumas soluções:

  • Deixar claro o impacto: Voluntáries hoje querem saber como exatamente a sua contribuição ajuda a organização a alcançar as suas metas. É preciso criar mecanismos de transparência e feedback nos quais seja possível entender a conexão da ação individual com o impacto positivo no meio ambiente e/ou nas pessoas.

 

  • Repensar reconhecimento: Reconhecer vai além de dar presentes ou apreciar a ajuda, tem a ver com participação e oportunidades de desenvolvimento. A abordagem do Instituto NOW de medir o desenvolvimento de competências acerta nisso, permitindo às organizações que trabalham conosco reconhecer o desenvolvimento de cada voluntárie e oferecendo um certificado das competências desenvolvidas.

 

  • Pensar híbrido: A Geração Z não tem uma linha divisória tão clara entre analógico e virtual. Eles querem marcar presença física quando faz sentido, mas quando não podem estar conectados de casa (ou de qualquer outro lugar).

 

  • Baixo limiar: Organizações não precisam se re-pensar e reestruturar totalmente, mas devem oferecer oportunidades de baixo limiar para que jovens possam conhecer melhor de que se trata. Stephanie Frost explica: “Jovens querem experimentar várias organizações por um tempo breve antes de se comprometer com aquela que parece certa. Para isso precisa de experiências positivas, sem pressão ou burocracia”. 

 

E daqui a pouco chega a geração Alpha que vai demandar novas adaptações nas estratégias. Seja lá como for, tudo que fizermos para desenvolver competências com a geração Z vai produzir impactos e ajudar a geração seguinte.

 

*Esse artigo é resultado do workshop “Futuro” da Academia para Gestores de Voluntaries (Fachkonferenz Freiwilligenmanagement), da Landesfreiwilligenagentur Berlin, que aconteceu no dia 14 de outubro de 2020 com participação de Rahel Aschwanden do Instituto NOW.