O que a facilitação ensina a quem facilita?

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Um novo jeito de liderar pessoas, de ensinar e de conectar diferentes atores na busca de soluções para problemas complexos. A facilitação tem estado cada vez mais presente na área de educação não formal e em ambientes corporativos e organizacionais de forma geral. O objetivo? Desenvolver competências e habilidades e descomplicar processos de forma conjunta. De modo mais simples, engajar e ajudar pessoas e grupos a crescerem. 

Lido assim, pode até parecer fácil, mas para alcançar esse propósito quem conduz o processo de facilitação precisa levar muito a sério uma premissa básica: a de que as pessoas são diferentes, têm anseios diversos e aprendem de formas distintas. E é aí que mora o desafio!

Afinal, quem nunca apostou em uma atividade maravilhosa capaz de envolver e mobilizar todas as pessoas de um grupo? Se isso já aconteceu contigo, é porque você provavelmente desconsiderou o ponto de partida da diversidade e da diferença.

Essa é uma armadilha bem comum para quem está começando no mundo da facilitação, e a experiência comprova que muito melhor que pensar em uma única atividade que dê conta de um universo diverso, é pensar em adaptar estratégias. É esse “jogo de cintura” que vai permitir a quem facilita lidar com o que cada experiência e cada individualidade efetivamente requer.

No episódio “O que significa facilitar para todes?”, do podcast E Agora, Josefina?, Helena Gomes, da Fio Facilitação, e Elis Motta, do Instituto NOW, compartilharam alguns dos aprendizados que elas construíram ao facilitar grupos. A pergunta que norteou o bate-papo foi a seguinte:

 

Como equilibrar o foco no grupo tendo também
um olhar para as individualidades?

 

Dentre as muitas reflexões e pontos de partida teóricos que elas citaram (como a Antroposofia do Programa Germinar; os Princípios da Consultoria de Processos, de Edgar Schein; a aprendizagem experiencial de David Kolb), o que prevalece na atuação das duas é a busca por uma abordagem holística, que ofereça aos participantes diferentes possíveis “portas de entrada” e de conexão com o conteúdo

Uma boa facilitadora consegue engajar as pessoas em diferentes níveis, indo além do nível mental ou racional ao qual muitas vezes costumamos nos limitar.

 

Listamos alguns aspectos importantes de serem observados por quem  facilita grupos:

 

  • Acolher individualidades

Facilitar para todes, entendendo que cada pessoa é uma pessoa. Diferentes pessoas vão ter diferentes preferências e necessidades no momento de aprender: algumas vão preferir uma entrada mais pela “mão na massa”, outras pelo teórico, outras pelo artístico/imaginativo. 

  • Estabelecer acordos verdadeiros

O início da vivência grupal é o melhor momento para que estes acordos sejam estabelecidos. Como a palavra diz, os acordos devem ser resultados da comunhão de ideias, de sentimentos e do entendimento recíproco do grupo – ainda que o facilitador proponha inicialmente alguns termos e/ou condições inerentes ao programa ou a estrutura do treinamento.

  • Propor convites genuínos 

Lembre-se de que um dos exercícios mais importantes da facilitação é a autonomia. Propor convites genuínos, portanto passíveis de “não”, é uma das melhores formas de fazer esse valor ser posto em prática, confiando no protagonismo do aprendiz.

  • Incentivar autonomia

Com o risco de soar repetitivo, enfatizamos: incentive a autonomia e confie no processo: no seu, no dos participantes e no do grupo.

  • Equilibrar “desafio” e “suporte” aos aprendizes

Esteja sempre atenta ao quanto o grupo está verdadeiramente desenvolvendo as habilidades requeridas naquelas atividades. O desafio não pode ser paralisante, bem como o suporte não pode ser sinônimo de ficar na zona de conforto. Uma das formas de conseguir esse equilíbrio é apostar no “mínimo risco”: dar passos pequenos e ir aumentando os desafios conforme desenvolvimento do grupo.

  • Diversificar linguagens e formas de engajamento

Pensar em uma atividade que contemple diversas linguagens e formas de engajamento é levar realmente a sério a diversidade de inteligências e formas de aprender das pessoas – ponto intimamente relacionado a primeiro, de acolher as individualidades e as preferências de cada pessoa.

  • Trabalhar em duplas de facilitadoras

Uma das melhores formas de aprender é com o outro, não é mesmo? Então aposte nas parcerias e trabalhe, sempre que possível, em duplas. Isso também ajuda a evitar “pontos cegos” e automatizar processos que você já está acostumada a facilitar. 

  • Participar de atividades facilitadas por outras pessoas

Todo aprendizado é construído a partir de outras experiências. Estar aberta a aprender em atividades facilitadas por outras pessoas pode lhe ajudar a ressignificar suas próprias práticas. Isso também tem a ver com a ideia de aprendizagem ao longo da vida (lifelong learning), fundamental tanto para o desenvolvimento profissional quanto pessoal.

  • Valorizar o lugar da observação 

Seja em suas atividades ou na de outros facilitadores, perceba o quanto quem observa pode contribuir para a dinâmica. Estimule e use isso a seu favor caso alguém não queira participar do modo proposto na atividade.  “Quem vê uma atividade de fora, vê de outro lugar e depois pode contar para o grupo o que ela viu. Isso é muito potente”, comenta Helena Gomes.

  • Refletir é tão importante quanto fazer

A reflexão após uma dinâmica é tão importante quanto ela própria, desde que exista intenção e entrega para interpretar a situação vivida. O que surge de reflexão nos momentos de dinâmica em grupo podem ser uma virada de chave.

 

Existem várias técnicas que aprendemos quando fazemos cursos de facilitação. Porém, cada grupo é um grupo e, diante disso, é muito importante entender que o que funcionou em uma situação pode não funcionar em outra; que mesmo dominando os princípios teóricos, uma das coisas mais importantes é facilitar, facilitar e facilitar – e entender que é isso é um eterno processo de aprendizagem!