Contratações com base em competências e o direito de conhecer e explorar o nosso potencial

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E se todas as pessoas pudessem conhecer seu potencial e suas fortalezas e ter acesso a oportunidades e informações sobre diferentes carreiras? É isso que o CareerEar quer tornar possível.

“Acesso a aconselhamento profissional deveria ser um direito, e não um privilégio”. Foi assim que Claudine Adeyemi, fundadora do CareerEar, começou a nossa conversa. Com a plataforma que criaram, Claudine e sua equipe querem ajudar as pessoas a tomarem boas decisões profissionais, permitindo que todes tenham as mesmas oportunidades de explorar seu potencial.

O trabalho do CareerEar tem como base a experiência da própria Claudine: “Quando eu era jovem, eu não era uma pessoa com ‘bons contatos’. Eu não conhecia ninguém que tivesse ido para a universidade. Desde cedo eu sabia que queria ser advogada, mas não tive acesso a nenhum aconselhamento ou orientação profissional sobre como chegar lá. Tive que descobrir tudo sozinha.” Quando Claudine conseguiu se tornar uma advogada, logo ela se deu conta que não tinha ninguém naquele ambiente que se parecesse com ela ou que tivesse uma experiência de vida parecida com a dela. Claudine percebeu então o tamanho da barreira de oportunidades que os grupos mais marginalizados tinham para conseguir ir atrás e alcançar suas ambições profissionais. Foi aí que ela decidiu mudar isso e criar uma plataforma que ajudasse a remover essas barreiras.

“Acesso a aconselhamento profissional deveria ser um direito, e não um privilégio”. – Claudine Adeyemi

 

Como é o trabalho do CareerEar

Com base em informações coletadas de forma colaborativa e uma comunidade de pessoas que contribuem, a plataforma disponibiliza a quem quiser conselhos profissionais e informações sobre diferentes carreiras e indústrias. Na plataforma, organizações podem compartilhar dados e conteúdo sobre diferentes perfis de profissionais, além de oportunidades.

O CareerEar faz tudo isso com uma lente focada em competências: “Nossa plataforma permite que as pessoas explorem diferentes profissões e entendam quais habilidades elas exigem”, explica Claudine. Com isso, a plataforma pretende inspirar pessoas a terem acesso e irem em busca de carreiras que talvez elas nunca tenham cogitado. Claudine enfatiza o importante papel das competências nessa equação: “As pessoas deveriam explorar profissões relacionadas às suas habilidades”. É por isso que, em colaboração com o Instituto NOW, o CareerEar desenvolveu uma ferramenta de avaliação de desempenho de competências integrada à sua plataforma. Usuáries podem usar a ferramenta para conhecer suas fortalezas e encontrar profissões que exijam o conjunto de habilidades que já tem. “Além disso, é possível identificar rapidamente quais competências as pessoas ainda não têm, mas conseguem desenvolver”, complementa Claudine.

O papel da avaliação de competências

Ao ser perguntada sobre a razão por trás da avaliação de competências, Claudine diz: “Quando começamos, partimos de uma hipótese de que a maioria das pessoas na nossa comunidade tinha dificuldade de identificar objetivamente quais eram as suas habilidades.” Ela explica ainda que muitas pessoas pensam em competências apenas no âmbito profissional, mas não se dão conta da transferibilidade de competências que desenvolvem e utilizam em outros ambientes. Mas antes de incluir a avaliação de competências, a equipe validou a sua hipótese e descobriu que a maioria das pessoas que responderam à sua pesquisa gostaria muito de ter uma forma objetiva de identificar suas habilidades. “Foi uma decisão direcionada pelos usuáries, como tudo que a gente faz no CareerEar”, resume Claudine.

A ferramenta de avaliação do CareerEar inclui uma mescla de competências que podem ser resumidas como competências do futuro. “Entendemos, junto com a equipe do Instituto NOW, que essas eram as competências que transcendem profissões ou áreas de trabalho,” diz Claudine, explicando que “elas incluem desde empatia até ousadia e a capacidade de ser agente de transformação.”

Implementação

Um dos desafios de implementar a solução foi a forma como os resultados seriam apresentados. Claudine conta: “Decidimos usar um gráfico em barras e desmembrar as competências, dando uma pontuação, mas também mostrando aos usuáries uma segunda linha com a pontuação média – para que eles pudessem se comparar a outros usuáries.” Com essa medida, o CareerEar espera conseguir mostrar que todo mundo é diferente e tem uma combinação diferente de competências. Segundo Claudine, “as pessoas estarão acima da média em algumas competências e abaixo da média em outras.”

A versão completa da avaliação ainda está sendo lançada e até agora foi testada com alguns usuáries. A experiência tem sido positiva: “As pessoas ficaram surpresas com os resultados até certo ponto. Elas têm dito coisas como ‘ah, essa definitivamente sou eu… Mas eu nunca tinha pensado que essas competências poderiam ser úteis no campo profissional’.” Claudine conclui que ainda há muito trabalho que precisa ser feito para mudar a perspectiva de como abordamos talento e competências.

Quando questionada sobre quais competências foram cruciais para o seu sucesso como empreendedora, Claudine reflete e finalmente escolhe empatia. “Como CEO que lidera uma equipe e também precisa inspirar outras pessoas, como usuáries e parceiros, é importante continuar desenvolvendo a empatia e tentar entender de onde a outra pessoa e os desafios que ela enfrenta estão vindo.” Para a equipe do CareerEar é fundamental que a solução que eles oferecem agregue valor. “Ela existe para ajudar a minha comunidade. Eu realmente acredito na liderança servidora”, explica Claudine.

Planos para o futuro do CareerEar

Ao ser perguntada sobre o futuro, Claudine ri e diz: “Temos planos muito ambiciosos!” O primeiro passo para a equipe do CareerEar é continuar aprendendo com seus usuáries e melhorando as funções atuais da plataforma com base no feedback recebido. A longo prazo, a ideia é alcançar mais pessoas para que a plataforma possa ajudá-las a crescer. “Estamos cogitando expandir a plataforma globalmente. Talvez um dia você veja a gente no Brasil”, diz Claudine.

Uma parte dessa jornada é mudar a forma como a contratação de talentos vem sendo abordada. “As pessoas precisam entender talento de forma mais ampla e sair dessa noção de que ter um certo diploma significa que você sabe fazer determinado trabalho.” Apoiar essa mudança para uma cultura de contratações com base em competências é uma das missões do CareerEar. “Ainda bem que algumas empresas já estão mudando de perspectiva, mas ainda temos muito caminho pela frente.”

 

Links (em inglês):

Website da CareerEar

Série sobre habilidades : entrevistas com pessoas contando sobre sua jornada de desenvolvimento de habilidades

Entrevista com Claudine sobre a sua jornada como empreendedora