Como criar engajamento online?

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Em plena pandemia, a resposta a essa pergunta se tornou ainda mais valiosa. Afinal, se presencialmente manter o engajamento já pode ser um desafio, quando se fala de aprendizagem online a dificuldade pode ser ainda maior. A sensação de durante uma reunião ou aula online estar “falando com ninguém” pode ser algo constante. Foi exatamente sobre isso que conversamos no episódio 4 do nosso podcast E Agora, Josefina?

Na conversa, o facilitador de aprendizagem Henrique Vedana, da Manifesto 55, compartilhou as experiências que ele tem tido durante esse momento e, também, deu algumas dicas de como engajar no ambiente online. Há mais de dez anos, ele busca despertar do protagonismo dos aprendizes, especialmente jovens voluntários.

Henrique Vedana, nosso convidado no podcast 3

A primeira pergunta que tivemos que fazer para ele foi:

Mas, o que é engajamento?

Quando alguém está engajado ou que há engajamento queremos dizer que um aprendiz tem um alto nível de atenção, identificação e interesse no processo e conteúdo educacional. Engajamento quase sempre se traduz em motivação e gera resultados positivos no que diz respeito à aprendizagem e desenvolvimento de competências. Para entender melhor se alguém está ou não está engajado, a gente separou “engajamento” em três tipos:

Engajamento emocional, ou seja, os sentimentos e emoções que o aprendiz tem em relação à sua experiência de aprendizagem. Isso inclui, mas não está limitado a relação com o professor ou facilitador, o espaço ou sala de aula (virtual ou real) e os conteúdos. Aqui, o maior desafio é não deixar a pessoa se sentir isolada sem sentir conexão com os demais aprendizes e educadoras ou facilitadoras. O engajamento emocional talvez seja o mais difícil de identificar online – já que ele se expressa muitas vezes através da linguagem corporal e nas contribuições espontâneas. Precisamos então possibilitar essas duas coisas ao quanto possível – ligar a câmera é uma delas.

Engajamento comportamental, que está ligado a quanto a pessoa participa ativamente em discussões, atividades que fazem parte diretamente ou indiretamente do que está sendo proposto. Então aqui inclui não só assistir as aulas e fazer as tarefas, mas também participar de conversas no fórum – se pensamos no mundo da educação formal online. Aqui temos mais facilidade de conseguir reconhecer a falta em engajamento: aprendizes que não estão engajadas não fazem o que está sendo solicitado: não respondem no fórum, não entregam as tarefas, etc.

Engajamento cognitivo, que se refere ao quanto uma aprendiz está motivada e é protagonista no seu processo de aprendizagem. Ou seja, voltamos a falar então em protagonismo, que é um tema constante no nosso trabalho no Instituto NOW. Além disso, também estamos falando sobre buscar entender e conhecer seu próprio estilo de aprendizagem e criar rotinas e processos próprios que ajudem a internalizar o conteúdos e desenvolver competências. Para identificar o engajamento nesse nível, precisamos olhar para o “além” das tarefas pré-estabelecidas e oferecer oportunidades para que os aprendizes compartilharem o que estão fazendo com, ou como estão aplicando o que estão aprendendo.

 

Por que é mais difícil?

  • Currículo fechado, sem autonomia do aprendiz
  • Passividade
  • Falta de motivação e de foco
  • Elementos tecnológicos + aspectos culturais

 

Dicas rápidas:

  • Diversificar: quando chegamos em um espaço físico de aprendizagem, idealmente ainda não sabemos exatamente o que vai acontecer: vai ter conversas em grupo? Vai ter textos para ler? Vai ter experimentos práticos? Precisamos desse elemento surpresa também no mundo online – além de precisar diversificar os canais e engajar os diferentes sentidos dos aprendizes. Na prática: tocar música, convidar para fazer alongamentos ou exercício de respiração, pedir para os participantes mostrarem objetos que tenham por perto relacionados ao tema, propor que cada um faça um desenho e mostre na câmera etc.

 

  • Tirar da cadeira: aprendizagem online não pode ser passiva. Precisamos engajar os aprendizes ativamente no processo, fazer eles investigarem, conversarem, experimentarem e levarem os assuntos para a vida real. Essa ponte aumenta não só o protagonismo, mas também a relevância para as aprendizes. Na prática: pode ser falar ao microfone, mas vai muito além disso… Usar quiz, perguntas para serem respondidas no chat, diferentes formas de responder uma pergunta (com um movimento?), usar ferramentas de co-criação.Aqui usamos a ferramenta “Jamboard” do Google, para que os participantes compartilhassem por desenho como estavam deixando a reunião.

 

Aqui usamos a ferramenta “Jamboard” do Google, para que os participantes compartilhassem por desenho como estavam deixando a reunião

Aqui usamos a ferramenta “Jamboard” do Google, para que os participantes compartilhassem por desenho como estavam deixando a reunião

 

  •  Comunidade: os alunos precisam sentir que não estão sozinhos, precisam ter uma motivação para participar vendo outras pessoas e se comprometendo com elas. Na prática, uma dica é usar grupos menores (“breakout rooms”). Encontrar as pessoas onde elas estão: aqui estamos falando não só de personalização, mas também de pensar no mundo em que o nosso aprendiz vive: porque não trazer referências de cultura popular? Porque não usar ferramentas que se parecem com as experiências de mídias sociais que as alunas conhecem?

 

  • Estar presente: É muito mais difícil perceber como cada participante está quando não estamos vendo eles presencialmente. Então precisamos fazer um esforço extra: check-in com cada um – especialmente mas não só quando notamos elas desengajadas, oferecer feedback, engajar os aprendizes em conversas e não deixar prazos simplesmente passar. Importante que o participante sinta que alguém está guiando e acompanhando o processo. Na medida do possível, a abordagem individualizada tem um peso importante quando se trata de aprendizagem e acompanhamento online.

 

Seja qual dica você escolher para aplicar em sua sala de aula, curso ou evento, uma dica é: comece pela qual você achar mais fácil, por onde se sentir mais confortável e confiante. Também, não tente colocar tudo em prática de uma vez, logo na primeira aula! Experimente, analise o que deu certo e o que precisa ser melhorado. Depois, conta pra gente: como foi a sua experiência? Qual dica foi efetiva e qual foi um momento de aprender com os erros?

 

Referências:

Estado de flow: Mihaly Csikszentmihalyi
Poeta dinamarquês: Sören Kierkegaard
Comunicação intercultural: Edward T. Hall

 

Você pode ouvir o episódio do podcast aqui.