A educação do futuro e a importância de ser protagonista de seu aprendizado

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Muito se critica sobre a educação no Brasil. São tantos os desafios! Desde infraestrutura, a grade curricular antiga e agora, mais do que nunca, as aulas online escancaram os privilégios e o acesso dos estudantes ao conteúdo ofertado. Mas, e se o aluno estivesse no centro do seu próprio desenvolvimento? E se ele fosse responsável pelo que vai aprender? E se o aluno estivesse tão engajado a ponto de ter iniciativa de tomar diversas decisões referentes ao seu aprendizado na escola? Todas essas perguntas dizem respeito a uma tendência na área educacional: o protagonismo do aluno.

E foi exatamente isso que discutimos no episódio 8 do nosso podcast E agora, Josefina? Nele, o convidado Fernando Granato, cofundador da Quíron e da Decodifica, coloca no centro do ensino o próprio estudante. Desde que voltou de sua experiência como professor voluntário em escolas públicas na Sibéria, Rússia, ele tem se envolvido nas principais tendências da educação no Brasil e no mundo.

Mas o que é protagonismo do aluno?

Antes de mais nada, entender o aluno como protagonista do seu próprio aprendizado é uma mudança na forma de pensar, uma nova visão de como a aprendizagem é vista. Normalmente, a imagem que temos do aprender é uma sala com fileiras enfileiradas, um professor que sabe tudo falando lá na frente, os alunos quietos e sem conversas paralelas e um conteúdo já previamente preparado para ser dado naquele dia e naquele horário.

Nessa nova visão, há uma mudança de pensamento em praticamente 100% dessa imagem:

  • A sala de aula como palco de discussões: ao invés de uma sala quieta e organizada, o protagonismo do aluno coloca o estudante para discutir com os outros, as carteiras enfileiradas dão lugar a um espaço de co-criação entre professores e alunos.
  • Professor no papel de facilitador: ao invés da tradicional posição de que o professor é o detentor de todo o conhecimento, o protagonismo do aluno exige um posicionamento muito mais de facilitador do professor – alguém que caminha lado a lado do estudante na hora da busca por desenvolvimento.
  • Aumento da colaboração como alavanca para desenvolvimento de consciência coletiva: ao estimular os alunos a trocarem entre si, eles ficam também em contato com outras realidades. Isso tudo dá possibilidade de uma ampliação da visão de mundo e os torna muito mais conscientes da sociedade em que vivem.
  • Desenvolvimento de autonomia e tomada de decisão: uma das grandes consequências dessa nova forma de pensamento é desenvolver a autonomia, a tomada de decisão e, principalmente, assumir as responsabilidades advindas desse desenvolvimento.

 

O protagonismo do aluno como desenvolvedor de competências

Uma das perguntas que fizemos ao Fernando foi se o desenvolvimento de competências é acessível a todes, afinal, ainda é comum ouvirmos do desenvolvimento e amadurecimento delas quando em um intercâmbio, por exemplo. E, sem dúvida alguma, elas são. Além de citar o protagonismo do aluno como peça-chave para o desenvolvimento de diversas competências, como colaboração, iniciativa, autonomia, tomada de decisão, etc., Fernando ressaltou uma que recentemente entrou na lista do relatório “The Future of Jobs” do Fórum Econômico Mundial: a aprendizagem ativa.

 

“Hoje em dia, mais que um diploma formal, é a experiência que lhe fará único. Para adquirir essa experiência não necessariamente você precisará de um diploma.” – Fernando Granato

 

Os princípios da aprendizagem ativa foram desenvolvidos por Barnes, em 1989. Segundo ele, a aprendizagem ativa deve ser:

  • Objetiva: a relevância da tarefa para as preocupações dos alunos
  • Reflexiva: reflexão dos alunos sobre o significado do que é aprendido
  • Negociada: negociação de objetivos e métodos de aprendizagem entre alunos e professores
  • Crítica: os alunos apreciam diferentes formas e meios de aprender o conteúdo
  • Complexa: os alunos comparam tarefas de aprendizagem com complexidades existentes na vida real e fazem análises reflexivas
  • Orientada pela situação: a necessidade da situação é considerada para estabelecer tarefas de aprendizagem
  • Engajada: as tarefas da vida real se refletem nas atividades realizadas para a aprendizagem

 

Em termos de andragogia, uma das maiores vantagens da aprendizagem ativa é a possibilidade de puxar a própria vivência dos participantes para o conteúdo que está sendo abordado. Isso, além de enriquecer as práticas educacionais, deixa o assunto muito mais próximo do grupo.

E você, já parou para pensar sobre quais possibilidades você tem para aprender alguma coisa diferente de forma ativa?